sábado, 21 de abril de 2012

Mortificação

Nada não me chega, com o peito estufado fica difíciu respirar. Literatura às vezes é feita de coisa pequena. No começo, quando é pouca. Mas depois cresce e não cabe mais no mundo do papel. O carbono 14 virou um poema na noite sangrenta da mortificação. Sobre ele não posso mais escrever, mas o mar que ele mexeu ainda me move, fujo do vício das palavras sem conseguir, é claro, me mover. A resposta não jaz, ela paira longa, berrante, e silenciosa sobre o cadáver daquela que esteve na rua do sábado. Em verbos de dizer inventando formulei certa vez, na noite do sorumbático que igualou com a noite mortificante, que: E se sou múltiplo não é porque tenho muitos, mas porque vivo de poucos. Paro de falar. Letras mortificantes lembram o ar blasé da construção cinza cinza de frente da mesa torta – ai como me cansa ser retrógada, e como retrógado é o que sou. Vivo de novo poesia que foi uma vez, que ainda jaz, que pergunta no século de agora por voz termurada em terra fulgosenta que de nada quer saber de falar. Vamos vídeo! Vamos editores de belas imagens! São vocês os criadores da nova geração de carcaças mal lambidas! Mas nada disso. Tem coisa não falada que precisa de explicação mas eu furo. Me basta. Troco com a poltrona colorida e o chapéu que perdi na viagem. quem entende coisa dessas? E quem se dá prazer de entender desentendendo? O mundo é esse. Malabarismo foi bom. Cansei de rimar. Tem coisa boa nisso tudo que me dá prazer. Me dá prazer: me dá mais. Viver de dores não é o bastante para um leitor atroz, ele deseja algo além da dor profunda, sem perde-la de vista se lança na dança dos desprazeres, é possível que venha a se matar, mesmo que digam que o absurdo se basta. Ai, a fulgacidade! Como dotar o mundo de outra régua? Há de nascer um homem que não escreva duas vezes a mesma coisa. Há de nascer um que tenha cabeça e mente no mesmo lugar. Temo que ele não nasça. Temos por ele, que não nascerá mais nunca e de nunca mais nascer nascerá de novo novamente em  nós nascendo mesmo daquilo que nasce em nós de nós mesmos como pedra e como ar e como céu de infinita altura vamos todos ser ótimos! Vamos sim! Vamos todos! Vamos ser o que não foi, mas que já foi tanto que de estragado volta a vida por pobreza de invenção. Quem sabe o palhaço ainda ria. Me importa que ele passe desapercebido, e me importa ainda mais que passe de novo, que venha todinho ele galante, ferrenho. de bruços mais fechados que abertos, porque de ar não se vive mais. Inventaram já que de ar não se vive. A postura do homem é ereta, mas vamos deixar o ar pras outras espécies, porque nós dele já sugamos a veracidade. Temos a vida mortificada. Quer saber? Nós orgulhamo-a. Atendemos aos seus chamados de irônicos beberrões que somos, e de que lado se encontra a astúcia? só vai saber na virada do outro que não foi, problema grande não tem solução. Pense numa pena leve. Volume não falta aí. Quero isso que vós desprezais solenemente porque vóis desaprenderam a desprezar, caros amigos. Ainda espero grandeza que venha da lata de lixo. Mas que antes possam passar lixeiros altivos e charmosos, perto de vós são inexistentes sublimes. Agarre o lixeiro! Agarre o Lixo! Por mil vezes me obedeçam e Agarrem o Lixo! Lá está apenas o lixo.

Um comentário:

  1. Marininha querida, li tudo, bebi palavras. Algumas me fizeram sentido, outras nem tanto. Que importa o que me significam? O que vale é que você saiba exatamente o que elas lhe significam. Pois bem, o conteúdo dos textos é revelador de uma alma pensante e daí, que já adorei o título do blog. Parabéns por se desvendar. Muitas pessoas vão gostar, outras não, é assim que se dá com quem se revela, se expõe. Bacana, super bacana! E não poderia ser diferente vindo de você. Bjs Solange

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