E de repente vi que ela era forte. Carregada com uma cesta de biscoitos ela parou na frente de todo mundo. O ônibus marejando nem reparou naquele rosto estranho, não viram a bochecha que reluzia oleosa na superfície da cara, protuberância que puxava o olho da esquerda e travava a boca no canto. De olhar puxei ranço, melindrei de nojear quase, e no de piscar de novo reparei o Braço - forma contorcida de raiz, a ondulação temprano de veia. jeito de pear. Caráter musculosa; e de pensar nojear já pensava em barbada de boxe: soco de um lado – arroz e feijão do outro.
Mulher não pediu licença, e no que começou balbuciar disse tudo em duas frases. E eu que intuía o dizer de sobrevivência me calei mais muda que antes, Só houve: Senhoras e senhores tem de leite-condensado e goiabada mista. No mais, ficou olhando e esperando o apetite do cliente. A plateia calou, guardava em mim convicção que a venda ia ser pouca. Quis saborear o goiabada que não era só de goiabada mas, como dizia a mulher, que era de goiabada mista. Podia ser só goiabada com o nome diferente pra vender mais, mas me intriguei. A goiabada mista virou coisa de querer degustar e de minha cabeça chata só saía de pensar no gosto do predicado do biscoito de goiabada. Não pedi á mulher que me vendesse mas errei na previsão de vendas, por fim a senhora do banco em frente e a menina do banco ao lado compraram cada uma de um predicado.
Era ônibus frear, ela ir pra frente, e ela pear no chão que fazia ciclo completo da vivenda. Entre biscoitos, predicados e notas de real o ônibus levava na noite estanque. Enquanto ela carregava cesta de biscoitos onde havia leite-condensado e goiabada mista, eu na cadeira cabulosa do coletivo só carregava era o olho por cima dela: fantasia de cine-olho, tinha de tudo: close-up Mão-de-real e Braço-de-boxe, narração em off contando estratagema, plano zenital; na hora do plano aberto enquadrei do corredor centralizado, cobrador também fazia parte, eu mesma até dei tchauzinho pra câmera pra brincar de molek.
A Mulher: o corpo todo que já moldado pra venda de biscoitos de leite-condesado e goiabada mista, no ônibus trepidante. Vindo no sonâmbulo da noite mal acabreada se formou na retina feito mãe de santo, tive de olhar e convencer do troço sério. Nunca mais vi de novo, nem de nojear e nem de piscar apareceu mulher feito ela. Tem dias, meu filho, que alma da gente se esvai só de olhar a mulher que vende biscoitos de leite-condensado ou goiabada mista.
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