1. As Mulheres
Queria esculpir o corpo de todas
as mulheres. Era ela na cabeça a tão só, pequena e concisa, vontade de reescrevê-las.
Ah, como era grata pela vontade que lhe assediava o corpo quando ganhavam
tardia plumagem as mulheres escusas - as faces que não foram desfrutadas e os
rostos que um dia resplandeceram em trono de Afrodite. Queria forjar encontros
e desencontros como se fosse a tarde descendo púrpura, e desenhar um mosaico de
pernas róseas raspando a pele leitosa no desenlace das cordas. As Mulheres:
tinos de um mesmo alvoroço particular. Fremiam espetáculos travando o músculo
longo na mandíbula doce; as peles se encontrando no toque rastejante e as
línguas na lambança virginal que sorviam-se.
Cercavam-se pelos flancos tratando no bote transversal da subida densa do
calor nó de cobra. Donde a saliva e o suor aguavam, em abundância davam de comer
aos insetos preciosa gordura. Hastes de metal firmavam as ristes felinas, com
canhotas unhas rasgavam o tremor nas nucas e no coro cabeludo o atrito incendiário
apartava, grunhiam aos céus e os gritos lancinantes ecoavam dos subterrâneos
infernos.
2. As Cusparadas
O diabo entendia na casa desregulada, cactos claros de sombra pequena restavam meses sem água, e a poeira lenta tapava os poros da televisão. O mármore branco da cozinha envelhecia e a ferrugem das cordas vocais só tocava no tom intimista do fraquejar, na geladeira o pote de mostarda era o humos espesso que degradava o amarelo em estranho musgo. A cama, seca, branca, restava no fundo do corredor oferecendo densas visitas de domingo – as mulheres ali sempre, desde há muito, com fluência, participavam do universo extenso, atemporal, vertiam híbridos. Anos largos, cachorros latos e bandeiras, tamancos, tudo girava no quarto, o centro cumpria a tensão dos pólos enquanto dos andaimes caíam homens másculos, da porta havia o dito: “sobram os anos não vividos” . Relaxar no salão, o ambientado do colchão duro intera a coluna, esticando os vícios, desmontando-se no chão. Raios de sol flanando pela tarde, as janelas e os gases lacrimogêneos da revolução, lábios ultra-vermelhos tentando lamber, ácidas cusparadas.
3. O Cardíaco
As sombras de um pensamento terrível se apossaram. O amor que devora é um machado no peito de quem sangra sem as mãos para afagar. Sinto mais medo do que antes. Ouço os gritos de meu pai. É um vasto purgatório cósmico - Vulcão me ameaça. Vidas loucas perpassam tudo.
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