terça-feira, 17 de julho de 2012

Habeamus corpus, ergo sum.




Pedaço de carne colado em mim. E eu sou osso branco e poroso. Faço articulação de pedaços calcários procurando desde a semente minha pobre biologia desumana. Os genes cresceram crentes apenas em si mesmos, e escarram vida com destroços terminados.  Na evolução da cervical fundam a verdadeira arquitetura da destruição: pé de pato, cabeça dinossauro, riso de besouro, e dedo de mosca. Volto a dizer que a mosca poderia ser tremenda no escárnio, regozijando as lambanças orgânicas, mas não seria páreo na política bem feita de palavrões sabidinhos. Homem e mosca é juntura corrente no milênio do ano virado,  de primeira concordância agarante-se que é do senado a montagem do inseto com o cérebro , mas a verossimilhança é bem antes do concurso de um que nasce, o encontro romântico das duas espécies é fabricação de genes lá na barriga - a mosca e o moço num vibrar seletivo de espécies selecionadas feitos um para o outro que querubim abençoa mesmo essa união. Num segundo prodigioso faz-se a inauguração! No ar o inseto gigante, asas abertas e o corpo todo frágil, os três mil orifícios oferecendo a benção aos  Deuses categóricos da podridão.

Homem: resto de homens, a vasta possibilidade de ter sido os tantos que em ventre venciam a mágoa mas por descuido rancaram da cópula dos muitos juntos apenas um quieto rápido que em mil passões por segundo resvalou fugaz de vagina feminina. Nasci de restos humanos ,de fragmentos unificados pela bicharada, sou eu e meu diafragma a montagem de um pensamento utópico: os homens não são políticos. Ideia que vem de festeira querendo na festa desarrumar o canto esmeraldal politécnico dos espermas socialmente crescidos.

Mosca: bicho esqueroso polifórmico, é traçado sem vertigem com grosso modo de querer avançar nas coisas sórdidas, ê bicho maravilha! Corre de um em outros recorrendo aos traços desenhados pelo mel docilizado do suor magro, enquanto a baba do quiabo sob o cadáver lhe cheira o tesão de abelha boa – o mel do defunto denota o gozozinho térmico. Voava e voará atrás do algoz comum, que sem respaldo e resvalando no descuido do impulso solto empurra a mão de cima a baixo, de lado a outro, e futuca o inseto lhe desfazendo os miúdos. Grita-se em gosma o hino da pátria fudida e gentil.

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