domingo, 1 de julho de 2012

Karin


De uma vida levam-se as contas de vidro.



 A razão infeliz da morta jorrava lágrimas, era fruto mais trágico que a doçura. encostava os lábios fracos nos dela e minha respiração entoava uma harmonia entre o grave e o agudo, carecia de pausa, e havia de bater forte. no compasso girava o véu branco da noiva, minha fronte se contorcia em ternura cândida quando via minha amada ainda mais bela do que antes viva. sentia suas mãos em meu rosto, eram quentes e acalmavam os vícios que todavia se destacavam de meios seios, jorrava eu de sangue mas cuidava dela e de mim, pois até então não havia dito que a dor é feita de agonia branda. procurava os lábios, me apercebia da quentura dos seus na calúnia dos meus, havia de retomar em ideia aquelas aproximações, por hora aguardava de dizer ainda algumas palavras que em silencio rezei com pensamentos íntimos, procuraria falar da beleza que assegurava agora mais imediata que tardia, convencida que estava de morte e dor em pura inocência. eu lhe rogava que visse ao menos o quarto em desespero. em sigilo o corpo vivo encontrou o seu na morte deitada, o calor de sua pele e as curvas silenciosas de viva ainda morta me faziam gozar lágrimas de enternecimento e alegria, fantasiei horas a fio durante os dias subsequentes.

O silencio de seus gestos mortos jazia em mim consciência, fugazes horas de desespero se seguiam ao miúdo pensamento nela.

Nenhum comentário:

Postar um comentário