sábado, 24 de março de 2012

Arnaldo lá, e eu aqui.


Vamos rir e fazer amor, Arnaldo parecia triste quando me falou assim. Eu queria muito revê-lo apesar do frio que fazia do lado de fora. Sempre fora um cara sério, que de encasquetar ficou encasquetado, pessoa dessas fibrosa que só de adorno natalino pra fazer tipo de humor. Apesar do sonho imagético que me suscitava sua presença eu tinha que Arnaldo me amava, apenas a sutileza indigesta do seu ego me dava arrepios séquitos. Já me lembro de uma primeira vez encontrando o homem... algo quase inédito na sua figura, mas que de primeiro ver não reparei, só já depois de alguma prosa foi se dar o sucedido de prestar tensão. Ele todo vermelho ficou coisa bonita nos meus olhos. O cabelo preto era feito anelado, desses que no palpitar do pé no chão já se solta divertido para lá e para cá. O diferencial era a velhice das pálpebras, olho que até economizava de bater. Nós pouco ou quase nada não nos víamos, ele sempre, era sempre, foi sempre o sempre, que se mantinha vivo no balançar de cabeça dizendo não, fazia o gato e amor nunca me deu. E eu andava visitando coisas de mundo, meu ia indo na resolução dos problemas.. às vezes eu tinha mesmo medo de ficar um tanto esperando, quando eu me arrumava e ia ver Arnaldo o dia era feito uma moeda virada no ar – só quando caía a noite é que eu ia saber. Nunca passava sem sofrido, o engasgamento que de ausência vinha, um desgastante do peito, e a cabeça fazia latejar. Quando era dia que virava era dia feliz, eu pronto esperava, e na hora que via já dava sorriso amarfanhado, sempre de sedução – pinta minha. E depois não havia falatório quase nada, ficava de olhar as pálpebras e mordendo os lábios no imaginar de Carne... isso era no começo quando Arnaldo ainda me deixava tonto. depois tudo sério pedrou, retificou todo liso, e de paisagem engoliu o horizonte: chapadão – não tinha nada que de sentir, havia grosso o que de remoído. A fronha amarfanhou um caráter que só de ferro.  Volto sempre ao sempre que de sempre de Arnaldo, nada dou no meu lavrar pela carícia doçura, mais que todo sou feitio orgulhoso; mas que nada desse sempre me nadar de novo não venha, pois de sempre se dizer que nada um dia ainda de se dizer que sempre, e da levada cega eu demais não digo que sei, fico que paro. meu rosto padece, tem dias que de morte eu não morro, mas e tem dias que de vida eu não vivo.

Um comentário:

  1. Impressionante escrita! Muito bem construída e fluente; no final acho que turbilhonou um pouco, mas por paixão pelo descrito! Parabéns! Acho que você tem uma intimidade das boas com as palavras!

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