sexta-feira, 16 de março de 2012

A Neguinha

=             Quando diante de mim o mar imenso
                Vejo surgir sob a areia da praia os pés negros de uma neguinha
                Sua aparição parecia um presente da tarde de sol,
                A perfeição do seu corpo era como se fizesse parte de uma arquitetura solar
                Calcanhar, batata da perna, joelhos, coxas, bunda, tronco, peitos, costas, braços pescoço, cabelo e cabeça, todos cor de ouro negro reluzindo a cada raio de sol,
                A natureza da sua pele era tal que sua superfície estalava ao brilho da carne, um chocolate africano bruto que poucos teriam o prazer de sorver
                A bunda rígida, grande e sadia, divertia as pernas longas e despreocupadas que se apegavam ao chão, os cabelos presos e oxigenados banhavam a neguinha de uma mítica equatorial, diríamos uma sereia medieval e sul-americana
                Os olhos quase sempre desconfiados pareciam tremer sob a presença das pessoas á sua volta, aqueles meros mortais escondidos sob a pele branca e leitosa de azedume, de todo o seu ser parecia exalar uma espécie de desprezo supremo perante todas aquelas criaturas fracas desprovidas do encanto magistral que ela, sereia medieval, possuía até mesmo em demasia. As poucas vezes em que olhava para os lados abria-se numa expressão assustadora - as sobrancelhas pretas arqueadas para frente, os lábios crispados e as narinas meditativas. Naquele singular respaldo em que a armadura se armava lembrava uma felina eriçando sutilmente o pelo e preparando o bote. Surpreendentemente ela se virava num contorno sensual e descrevia com o dedão do pé uma dança miúda que levava todo o corpo a pertencer deliciosa e belamente á arquitetura solar que a conduzia,
Seu bikini vermelho com calcinha traçada de bolinhas pretas lembrava ao espectador a doçura da característica de menina, a jovem roçava as caldeiras da inocência e no entanto bradava um reconhecimento milenar.   

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