quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Acreditar na Guitarra


O homem só acredita naquilo que penetrou fundo na alma e modificou-lhe os sentidos. Todo o resto que acredita acreditar é curva do intelecto e vontade de subjulgar a vontade. Tamanha é a pressa que alguns usam para desfazer um julgamento e assim satisfazê-lo, e equivalente a destreza orgânica de um cérebro em vias pré-anunciar-se – comboio de atulhamentos inóspitos é a gente do trânsito. Ainda crê-se no destino regularmente. Donde advém cautela a vista enevoada transfere os temores.  

Rasga a pilhéria dos balanços de criança! Balança a crina do cavalo e some fumegando. Porque tudo que se quer está mais que encontrado. Reclama do mundo submisso fazendo contas na internet, abusa do crime fácil sugando o aspirador da velha empregada, emprega o padeiro para o sustento seu. Gargalho do torpe-do sentido. As Guitarras elétricas são os apontadores que rabiscam certa verborragia nas membranas de uma Fala, suas, pertencentes e permeáveis ao fulo do som magnético – amo-vos porque são inteiros sem jamais precisar ver o mar, amo-vos porque se vissem raros oceanos sem luz seriam deuses. Rapazes bonitos são vós, moças são voz: por isso amo suas guitarras, por isso rezo toda noite.

 

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