Rebenta
por vezes um pensamento escuso: o próprio cogitar assim tranquilo
ressoa como se houvesse o estado mágico de não pensar. Sem projetar
respostas de filósofos e sem gostar de maquinar a certeza de estar
sempre em pensamento, e sobretudo sem disfarçar a propensão de
escrever alegremente. O tempo de estar vivendo é sobre o cogitar. A
estrutura metálica das suposições é lenta e não se compraz de
vastas pequenas correções temporais, segundos e milésimos
atravessam como um burro enfezado a respeitosa abundância de
pensamentos magnos. Paciência é o que sussurram os músicos da
repetição, antes eram filósofos que não se conformariam em pensar
a nitidez do mundo moderno, que antes de se envolverem com o estado
de crônica insatisfação econômica, circundariam as excruciantes
vagas silenciosas que percorrem as ruas de asfalto. O tempo de
esquecer e o cogitar sejam seres torpes perto da obscura luz de um
pensamento magno que só o espelho de um clarão inevitável poderá
dizer, e por enquanto caminharemos na direção da vaga luz dos céus
da Bahia, as voltas com
pedidos `as estrelas, cadentes que somos na verticalidade da noite.
Receio descobrir que músicos foram homens e filósofos foram
músicos, sem música, com tempo, sem tambor, com cordas de vaga
intuição. Acordo com a fraca soma de pensamentos miúdos que penso
durante as 24 horas. Faço incursão, incorro em artifícios
matemáticos, e sou lógica das vagas estrelas, o tempo que segue
fraca intuição, e cogita o tempo de terminar, um começo todo,
enquanto poética vontade de descrever engole, o soberbo medo de
encontrar: início dos tempos, vaga de vontade, estrelas estáticas.
sábado, 30 de março de 2013
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013
Virtudes
ou, Gerry de Gus van sant
Os numeros na escuridão. Dedos de
mulher. Cânticos que fazem brilhar talvez almas perdidas, jovens
rapazes que vivem aqui. Forma desesperada é o indício do fim
próximo, é também perfeiçao se afeiçoando de um homem, e a
tristeza não vem tao próximo quanto se quis, quando o homem decide
o seu lugar no sono, onde os sonhos são cânticos, e o ritmo encolhe
suas maos, suas pegadas, seu corpo, assopra nos seus labios a palavra
cor de índigo. Temidas virtudes de ausencia milenar, estou aqui. Sou
eu o sonho que sonhavas, sou teu obreiro de mais profundo rancor, ora,
males não há mais, fortuna sois tu, que sonhou com o anjo do amor,
com as virgens de seios fartos, com a madona do mundo inteiro.
Fortuna soa em meu ouvido, campina acorda nos teus. Males não há
mais por aqui, traiu-se o rei e as paragens reclamam a lonjura de uma
tristeza distante, amarias tu tais pastos? Vastos homens de outrora,
vastos homens de agora, doce manhã.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
O Anfitrião
A importância de dizer
algumas palavras pode se tornar a necessidade de confessar uma falta
ou saudade. Não devemos atender ao chamado tão prontamente assim,
antes podemos fechar os olhos e engatilhar outros pensamentos
despedaçados, revolver no tempo a vertigem de ter chegado ao lugar
de segurança , ou relembrar caótica e contente a memória de um amor.
No estado de contemplação em que se encontra a natural calma de
quem acaba de chegar estão também presentes seus maiores inimigos, a dor da saudade e a iminência de remoçar o erro. Aproveitemos a
oportunidade para conhece-los melhor, sejamos corteses com nossos
queridos inimigos, façamos com que pertençam em nós como estando em
sua casa: ofereçamos o alimento afável de cada refeição, o leito
onde irão descansar e dormir, e a água do banho que os farão mais
limpos. Assim os mantemos sempre fiéis e observados, alegres e
encantados com sua nova casa. A presença desses calorosos visitantes
há de lhes ser proveitosa das mais variadas formas, aprenderás a
conduzir uniformemente a estadia de um ente dentro de si, aos poucos
te tornarás anfitrião em sua própria casa e assim escolherás seus
visitantes com doçura e desconfiança, se tornando um grande
acolhedor de almas perdidas. Pois se aquele almeja estar em casa deve
antes se tornar um bom anfitrião, e de passo em passo deixar
entrar seus visitantes, abrir-lhes as portas, aos bons, maus e
indiferentes, com emprego e circunspecção, saberá então o valor do
humor mediano, traçarás conversas e servirás comida com um bom
inimigo sem pestanejar sua presença duradoura. Sua
permanência se tornará pequena e circunstancial pois serão sempre
seus meros visitantes. Ao fim de cada estadia desejar-lhes outros
bons anfitriões, que lhes sirvam tão bem e gentilmente como nós,
nesse dia anoitecerá mais cedo e o seu sono será maior e mais solto
que nos outros dias, seu corpo ser-lhe-á grande e confortável, os
cabelos mais longos e finos, e as mãos mais cálidas e sutis; e quem sabe
surja então diante de tamanha altura e força dos ossos um homem que
pertença em casa, na saudade do lar e na escuridão da estadia.
Grato pela imensa sombra que o atingiu ele descansará na redonda e
perfeita noite da sua solidão.
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